Já é agosto. Na semana passada, bem nos primeiros dias, saí para andar de bicicleta no bairro e senti o primeiro calor do segundo semestre. Ele veio acompanhado da brisa de agosto. "Brisa" é uma palavra carinhosa até, pensando que esse é um mês de ventos fortes, o mês que o campo em frente a casa onde cresci é povoado por crianças e adolescentes soltando pipas - de longe, bermudas coloridas correndo como flores graças às lufadas. Senti um lampejo de alegria, de prazer em estar vivo. Sempre regresso à natureza como uma divindade de esperança. Essas mensagens de dias gostosos vêm espontaneamente e sem anúncio prévio, me acordam de um coma melancólico ou da descrença. Antes eu tinha aversão a agosto e dos tornados que se formam, levantando poeira e pondo uma cortina fosca na paisagem. Hoje as rajadas são uma menção do tempo presente, de que estou alocado na transição de fenômenos sazonais. Tem sido bom sentir o sol perto da pele, os cochichos aéreos entre as pernas, os braços, se esgueirando por debaixo da blusa, no pescoço, entre meu cabelo ondulado. Me sinto como um corpo de pipa.

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