30/06/2026

Atear ânima no mato, tecitura de crença

Tenho medo de que todos os tempos virem um só, por isso os rituais

Faz-se os deuses e deixa de explicar a magia. Volte ao estado físico do corpo, leia os sentidos somente depois de cunhar a pedra com as próprias unhas. Estou no versículo da vida onde decoro a oração originada pelo trançar da resolução dos maus-agouros. No deserto se aprende a ser algo mais próximo de gente e distante do divino - o deserto é a paisagem que se vai quando os pelos despontam e engrossam na pele. Mas estou de volta ao descampado verde, ouço os sons das ovelhas e tomo um cajado infiltrado de bichos da chuva. Ouço também a vizinhança feminina cantando ao longe, perco o medo das serpentes do chão, avisto um pôr-do-sol de inverno. Eu mesmo levantei um sistema de signos e o batizei como religião, eu mesmo atravessei os arames e tornei sacro a campina onde dei os primeiros passos (a tomo como templo). Alheio à luxúria da palavra, curado das doenças da cidade e emergido dos covis em que me aprisionei, me ponho em frente ao mistério e agradeço, anunciando que o filho das árvores está de volta.

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