15/06/2026

No verso das rochas, direções

 O homem no antropoceno busca por sinais e respostas na virada das rochas.


Acho que já são tempos de revelar o que há por debaixo da umidade das pedras. A humanidade é um todo de uma criança que salva o doce para sua urgência: ocupar a boca do choro com um âmbar açucarado de perspectiva. À isso nos serve a arqueologia do chão. Preciso saber como os bichos pequenos criam morada nas fissuras escuras - conectar meus aparelhos em seus túneis e não buscar pela palavra didática, mas observar padrões, induzir meu próprio corpo à reprodução das micro-repetições, mimetizar o pulso da homeostase dos isópodes que alimentam a descendência com persistência e adaptabilidade. Vou vasculhando no chão os portais escuros nos quais se acumula susto e peçonha - no melhor dos cenários trago à luz um antídoto.

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